INOVAÇÃO E CORPORATE VENTURE

COMECE PELO PORQUÊ - E NÃO PELO “FOMO”.
19/12/2019

Corporate Ventures (CVs) são programas ou iniciativas implementadas por companhias já estabelecidas para promover e acelerar a inovação. Os CVs têm o objetivo de capturar oportunidades ou solucionar desafios criados pelas disrupções e transformações exponenciais que ameaçam os negócios.

Segundo pesquisa da empresa de inovação ACE, que envolveu gestores de 10 segmentos da economia brasileira, 70% dos entrevistados afirmam que estão sofrendo algum tipo de disrupção em seu segmento.

Neste contexto de vulnerabilidade vem a pressão por “fazer alguma coisa” e consequentemente surgem as CVs, que podem ganhar múltiplos formatos, variando de acordo com o risco e os resultados esperados.

Algumas empresas têm, por exemplo, adotado CVs internas, envolvendo seus colaboradores no desenvolvimento de soluções inovadoras - o chamado intra-empreendedorismo.

Outras, em um estágio de maturação mais avançado, já adotam o open innovation, abrindo-se para co-criação e parcerias com pessoas e empresas externas, em formatos como hackatons, demo-days, incubação, aceleração, até Corporate Venture Capital (CVC) - criação de seus próprios fundos de investimentos em startups.

Falando sobre estas últimas modalidades, o engajamento das organizações com os ecossistemas de startups tem um vasto potencial de crescimento no Brasil, além de ser uma tendência global. A ACE aponta que 47% dos participantes afirmaram terem feito algum tipo de parceria com startups para fins diversos.

Ainda que movidas por um certo modismo e efeito manada provocado pelo mantra “aja – ou interaja - como uma startup ”, de Eric Ries, criador do movimento Lean Startup, fato é que as empresas que procuram se aproximar de startups já entenderam que é quase impossível inovar por conta própria, na velocidade demandada pelo mercado. Disputar gente, tempo e investimento com o negócio core é um árduo desafio.

Por outro lado, há outras tantas organizações que ainda titubeiam em engajar-se a estes ecossistemas. Algumas razões apontadas são falta de clareza sobre a governança, falta de treinamento e desalinhamento sobre métricas de sucesso, e que são questões legítimas vivenciadas por empresas que testaram este modelo e falharam - e que acabaram por contaminar a opinião de outras que nunca ousaram experimentar.

Mas vejo um ponto intrigante sobre os motivos de fracasso destas iniciativas – a pouca relevância que se dá à falta de alinhamento estratégico, que vejo como ponto fundamental para tantos insucessos. Insights trazidos em entrevistas da ACE, como “O CEO acha que está bastante engajado no movimento de inovação, enquanto a média gerência acha que falta envolvimento da liderança”. Ou, ainda ”as áreas sentem que a inovação não é nem tão presente e nem tão importante para a empresa como um todo”, deixam claro que existe um grande desalinhamento sobre o valor estratégico e a relevância destes processos dentro das organizações.

Fica evidente que as iniciativas são muito motivadas pela pressão do FOMO (“fear of missing-out”, ou “medo de estar perdendo algo” e ficando para trás). Daí as iniciativas desconexas, que logo caem em descrédito e minam uma fonte poderosa de inovação.

E o que fazer sobre isso?

O primeiro passo é garantir o desenho de uma estratégia de inovação que esteja em sintonia com os objetivos estratégicos da companhia.

Por onde começar?

Uma dica - comece pelo PORQUÊ.

Este é um conceito simples, apresentado por Simon Sanek, criador do didático Círculo Dourado (vale a pena assistir o TED sobre o assunto).

POR QUE queremos inovar? POR QUE precisamos iniciar um processo de inovação?

E a cada resposta, acrescente novos PORQUÊs, tantos quanto acharem necessários.... Queremos inovar para não entrarmos em desvantagem competitiva? Mas POR QUÊ?

Surgirão respostas surpreendentes: iniciar um processo de inovação para transformar o mindset e a cultura organizacional, inovar para aproximar-se de novas tecnologias, para reter funcionários, para se posicionar.... as respostas irão além dos rasos “para não sermos atropelados” ou “para garantirmos retorno financeiros”.

E apenas depois desta etapa avancem para o “ O QUÊ” e o “COMO”. Os caminhos escolhidos e os planos desenhados sobre o que fazer e como fazer serão muito mais coerentes, consistentes e com chances de sucesso.

Os desafios não cessarão, mas será um pouco mais fácil encarar os obstáculos que virão pela frente e corrigir rotas em um processo iterativo, tendo uma visão mais clara e compartilhada por todos da companhia.

Testem!

Agora, sobre como resolver o FOMO??? Este ainda continua sendo um enorme desafio. Quem tiver alguma dica, compartilhe, por favor!!!