INOVAÇÃO – O NOVO BÁSICO

COMO O ECOSSISTEMA DA MODA DEVERIA ENCARAR ESSE ASSUNTO "TRENDY"
18/10/2019

Nenhum setor passará ileso às transformações e disrupção causadas por novas tecnologias e novos comportamentos de consumo - desta tese, todos nós já nos convencemos.

Ainda assim, companhias de todos os segmentos vivem o grande desafio sobre como equilibrar seus esforços entre a execução de táticas de sobrevivência frente à volatilidade e incertezas de mercado, e a construção de uma agenda estratégica que, inevitavelmente, envolve inovação.

No segmento low-tech da moda, o desafio não é diferente. Ao contrário, o que se viu até então foi um setor quase inerte ou pouco ágil quando o assunto era inovar, posicionado entre os “lanterninhas” na jornada de transformação e absorção de novas tecnologias – e não apenas no Brasil . Uma situação um tanto quanto controversa, já que moda é sobre tendências , e nada mais trendy que falar de transformação digital, inteligência artificial, e tantas outras buzzwords .

Mas a entrada de novos players com modelos disruptivos, o varejo físico clamando por re-significação e tantos outros “empurrões” tem levado o setor a um shift de mindset - é o que comprova o relatório State of Fashion 2019, elaborado pela McKinsey em parceria com a revista online americana Business of Fashion, com base em pesquisas anuais feita com lideranças de grandes players globais do setor.

Sistematicamente submetidos à pergunta “qual melhor palavra para definir o momento da indústria da moda?”, a resposta, até 2017, era, predominantemente, “incerteza”, seguida de “desafio”. Na última pesquisa, publicada neste ano, a resposta passou a ser “mudança”, seguida de “digital” e “fast”, sinalizando que uma agenda de transformação deveria ser priorizada, com foco especial em digital e speed-to-market.

E, de fato, ao longo de 2019, temos visto iniciativas relevantes em direção à inovação e adesão de novas tecnologias, principalmente entre os gigantes globais, motivados por um desejo genuíno de atender melhor seus consumidores, por tornarem-se mais eficientes ou, simplesmente, pelo medo de serem atropelados pelo “novo”.

A Nike, como um grande exemplo, anunciou semanas atrás sua quarta aquisição de startups, a Celect , em linha com sua estratégia de colocar foco total no comportamento do consumidor e em trazer novas experiências digitais ao negócio. Isso graças à obtenção de insights e análise de dados via inteligência artificial que a ferramenta viabiliza.

Na outra ponta do tema inovação, mais disruptiva, o movimento mais comentado foi o da Stitch Fix - um serviço de personal stylist online fundado em 2017 no Vale do Silício. Com mais de 3 milhões de usuários ativos, anunciou crescimento acima das expectativas por períodos subsequentes, alavancando de forma expressiva seu valor de mercado. Ainda, foi eleita a 5ª. empresa mais inovadora do mundo no ranking 2019 da Fast Company - ficando atrás apenas de gigantes como NBA e Walt Disney.

O foco da Stitch Fix? Manter-se relevante a seus consumidores, entendendo e atendendo cada vez melhor seus desejos de compra. E com qual fórmula? Colocando a ciência de dados e a cultura da empresa a esse favor - desafio a ser superado por empresas em todos os setores.

Se antes olhávamos para as grandes marcas globais ou para players de nicho em busca de inspiração em produtos, comunicação e experiência, hoje devemos tomar como benchmark seus movimentos em relação a como reagem frente a um novo cenário de consumo e tecnologia.

Definitivamente, o tema de inovação caminha para deixar seu status de assunto trendy para se tornar o “novo básico” nos negócios.